''A Enfermagem é uma arte;e para realizá-la como arte,requer uma devoção tão exclusiva,um preparo tão rigoroso,quanto a obra de qualquer pintor ou escultor;pois o que é tratar da tela morta ou do frio mármore comparado ao tratar do corpo vivo,o templo de Deus ? É uma das artes que poderia dizer,a mais bela das artes."
Florence Nightingale

sexta-feira, 2 de março de 2012

MECANISMO DA AIDS/ HIV

TRABALHO DE PESQUISA  REALIZADO PARA O COMPONENTE CURRICULAR DE IMUNOLOGIA PELOS ACADÊMICOS DE ENFERMAGEM : ELAINE SOARES, IZABELA DE AQUINO TAUGINO , RAFAEL SOARES CORREIA E SANDRA BARBOSA PICOLO.




INTRODUÇÃO
 O simples fato de permanecermos vivos está quase fora de nosso próprio controle. As sensações de clareza e escuridão nos fazem produzir forças para continuarmos vivos. Desse modo, o ser humano é na realidade um autômato, e o fato de sermos sensíveis, temos sentimentos e conhecimento do mundo ao nosso redor. É através desse conhecimento, que sentimos os sinais e sintomas de algumas doenças, suas causas, conseqüências e seus possíveis tratamentos. Neste trabalho iremos orientar a população e os acadêmicos de enfermagem sobre doença tão temida do século XXI a Aids, e mostrar à elas de como é feito a prevenção, a trajetória da doença, seu modo de transmissão, o tratamento e também orientar os profissionais de saúde, quais os devidos cuidados que os mesmo devem ter com os portadores desta síndrome.  


AIDS/ HIV
A Aids é a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, tem esse nome em função da deficiência imunológica generalizada que se observa em seus portadores. A causa dessa deficiência, é que o organismo do indivíduo não é mais capaz de combater as principais infecções causadas por patógenos com os quais se defronta.
O vírus da Aids é o HIV( Vírus da Imunodeficiência Humana), é o agente causador da Aids, constituído de RNA e pertence à família Retroviridae. Onde existem dois tipos de HIV: o HIV-1 e o HIV-2. O HIV-1, é o mais prevalente, onde esta disseminado em todos os continentes do globo. O HIV-2, possui uma distribuição geográfica mais limitada, restrita a países do continente Africano.
Esses dois tipos são classificados em grupos e subtipos de acordo com à variação do vírus. Seu mecanismo de ação ataca as células denominadas de linfócitos, os quais compõem os glóbulos brancos presentes nos tecidos linfóides, e circulam no sangue e nos vasos linfáticos, agindo na síntese de anticorpos e combatendo assim as infecções.
O HIV tem uma forte atração celular pelos linfócitos T do organismo humano, principalmente as células auxiliadores T, invadindo-as, replicando-as em seu interior e finalmente destruindo-as.
As células alvo do vírus são os linfócitos TCD4, que são importantes na resposta imunológica global, elas comandam e modulam toda atividade de “ ataque” do sistema de defesa à um determinado agente agressor. A infecção dessas células leva a uma série de defeitos imunológicos, com diminuição e morte das células T4 e diminuição da função das células T8, macrófagos e células B. Como ocorre a morte dessas células o organismo humano não consegue mais defender eficientemente contra os agentes agressores, desenvolvendo infecções oportunistas e neoplasmas.
A Aids é um distúrbio causado pelo vírus da imunodeficiência humana, e caracterizado pela presença de infecções oportunistas. Este vírus tem sido encontrado em todas as secreções humanas: sangue e derivados, sêmen, secreções vaginais, urina, leite materno, lágrimas, saliva, e entre outras.
  
TRAJETÓRIA DA AIDS/ HIV
A trajetória da Aids/HIV começa no início do século XXI, completando vinte anos de sua descoberta, o primeiro caso registrado foi nos meados na década de 1980 mais sendo descrito apenas no ano seguinte. No ano de 1980 os primeiros casos foram conhecidos nos Estados Unidos, a partir de um número elevado de homossexuais e seus clientes que apresentava pneumonia, por predominar em homossexuais passou a ser chamada de GRID ( Deficiência Imunológica Relacionada aos Gays ). Em 1982 surgiram novos casos não relacionados à homossexualidade mas sim de usuários de drogas injetáveis, clientes que receberam transfusão de sangue e em crianças recém-nascidas, assim sendo rebatizada de Aids( Síndrome da Imunodeficiência Adquirida), mas sua forma de transmissão não era reconhecida. Já no Brasil acredita que tenha chegado na década de 1970.
De 1993 à 1997 muitas coisas aconteceram, foi divulgada a descoberta do agente etiológico da Aids, dois grupos de cientistas do Instituto Pauster de Paris, batizaram o vírus de LAV e o outro de HTLV-3, que mais tarde ouve esclarecimento e foi denominado de então de HIV significando Vírus da Imunodeficiência Humana.
Já no Brasil no ano de 1985, o Ministério da Saúde cria o Programa Nacional de Combate a Aids por meio da Portaria de n° 236, assim por meio dessa criação estabelecendo a primeira diretriz contra o enfretamento dessa epidemia no país.
No ano de 2006 Brito et al, analisaram 8703 casos de Aids em menores de 13 anos, notificados no SINAM até abril de 2004, e identificaram que 61,7% dos casos concentravam-se na região Sudeste e 25,2% na região Sul.

   
A DOENÇA PELO HIV NA CRIANÇA
O HIV é mais complicado em crianças do que em adultos, o seu principal motivo é a sua imunidade, por isso as crianças infectadas pelo HIV podem ter infecções que ameaçam a vida  da criança, principalmente a relacionada as bactérias Haemophilus e Straptococus. No recém-nascido pode ocorrer pela transmissão congênita ou pré-natal, assim ocorrendo a transmissão ocorrerá impacto no sistema nervoso, não ocorrendo o desenvolvimento da criança, mas se não atingir o sistema nervoso existem outras patologias, como herpes simples e hepatoesplenomegalia e entre outras.
No grupo infantil há três populações que são principalmente afetadas: crianças expostas in útero pela mãe infectada- transmissão vertical via placenta, deslocamento prematuro da placenta, corioaminonite, procedimentos invasivos; por ocasião do parto pela passagem de linfócitos maternos para o sangue do feto, procedimentos invasivos-, amniocentese, ruptura de membranas por mais de quatro horas, parto vaginal: por meio da amamentação; crianças que receberam hemoderivados- hemofílicos.
As manifestações clínicas da Aids em crianças podem ser agrupadas da seguinte forma, conforme sua idade:
● em todas as crianças: retardo do crescimento, hepatoesplenomegalia, pneumonite intersticial crônica, linfadenopatia generalizada, infecções bacterianas e virais;
● em lactantes: candidíase oral, retardo do crescimento, angustia respiratória secundária à pneumonia;
● em infantes: parotidite, doenças neurológicas, anormalidades de desenvolvimento, febre prolongada e recorrente e dificuldade de ganhar peso.
Algumas crianças são não assintomáticas, não apresentam qualquer sinal ou sintoma considerado como resultado da infecção por HIV. Outras podem ser levemente, moderadamente ou intensamente sintomáticas. O diagnóstico pode ser feito com o teste para HIV na mãe, no recém-nascido e nas crianças por  meio dos sinais clínicos apresentados pela criança.
A assistência de enfermagem tem por objetivo minimizar a exposição a infecções, dar suporte nutricional, proporcionar medidas de conforto e avaliação; reconhecer alterações no estado de saúde que possam levar a complicações; e dar suporte emocional. 

  
MODO DE TRANSMISSÃO DA AIDS

A transmissão da Aids ocorre através das seguintes formas; transmissão sexual contato homo, hetero ou bissexual; através de transfusão sanguínea que pode ocorrer por exposição de mucosas a sangue, hemoderivados ou instrumentos contaminados pelos vírus como por exemplo usuários de drogas injetáveis; transmissão vertical ocorrendo da  mãe para a criança, principalmente no parto é também na amamentação e também pode ocorrer transmissão ocupacional se relaciona a profissionais de saúde que sofrem ferimento por materiais perfuro cortantes contaminados com sangue de pacientes infectados pelo HIV.


NORMAS UNIVERSAIS DE BIOSSEGURANÇA

Há pouco mais de duas décadas, os profissionais de saúde não eram considerados categoria de alto risco para acidentes de trabalho. A partir da epidemia da Aids, na década de 1980, as normas para questões de segurança no ambiente de trabalho foram mais estabelecidas para profissionais que atuam na área clínica. De todos eles, a equipe de enfermagem é a mais suscetível à exposição a materiais biológicos, como fezes, urina e sangue. De fato constituímos uma categoria hegemônica nos serviços de saúde em termos quantitativos, além de despertarmos grande parte de nosso tempo na assistência a clientela, realizando uma grande quantidade de atividades e procedimentos.
Nesse sentido, cabe aos profissionais de saúde adotar condutas que evitem a exposição a materiais biológicos. Algumas delas foram classificadas como normas universais de biossegurança.
Suas medidas que visam a prevenção de riscos biológicos inerentes a algumas doenças transmissíveis, utilizadas sempre que houver possibilidades de contato com sangue, secreções e excreções, mucosas e pele não-íntegra. Essas medidas incluem o uso de equipamentos de proteção individual ( EPIs), e cuidados com manipulação e descarte de materiais perfuro cortantes contaminados com material biológico.
Embora existam as normas de Prevenção Padrão, alguns profissionais entram em contato com o material biológico, seja pelo fato de terem ignorado as normas, por não possuírem material adequado na instituição, ou por tê-las empregado inadequadamente. Apesar das estatísticas mostrarem uma baixa taxa de infecção ocupacional pelo HIV, quando comparado com as demais infecções ocupacional pelo HIV quando comparado com as demais infecções torna-se relevante o conhecimento e a utilização das normas de Prevenção Padrão, uma vez que a Aids é uma doença que pode ser transmitida através de sangue, secreções.


PREVENÇÃO

 Precisamos ser bem claros que a epidemia de HIV/AIDS ultrapassa fronteiras geográficas e sociais. Ela é altamente dinâmica e instável, porque depende em grande parte do comportamento humano individual e coletivo. É com essa dimensão tão diversa e ampla que a enfermagem trabalha na questão da prevenção. Junto aos indivíduos, defrontar-nos  necessariamente com aspectos pessoais, amplamente influenciados pelo comportamento individual e pelos costumes sociais- como: relações sexuais, troca de sangue entre usuários de drogas injetáveis, gravidez e amamentação.
As principais estratégias de prevenção empregadas pelos programas de controle envolvem:
● promoção do uso de preservativos ( masculinos e femininos) de forma correta;
● promoção do uso de agulhas e seringas esterilizadas e descartáveis entre os usuários de drogas injetáveis;
● controle do sangue e derivados através dos métodos de triagem( clínicos e sorológicos) em bancos de sangue;
● adoção de cuidados na posição ocupacional a material biológico;
● manejo adequado de outras doenças sexualmente transmissíveis (DSTs);
● identificação de gestantes HIV- positivas e acompanhamento no ciclo gravídico- puerperal.


FORMAS DE TRATAMENTO
Apesar da Aids ser um doença que ainda não exista cura, existe tratamentos eficientes e que controlam a doença. Pessoas portadoras do vírus HIV, devem procurar ajuda médica, tentar conhecer a doença e jamais perder a esperança, afinal, de 1981 até hoje, já se passaram muitos anos, estamos num novo milênio e a medicina evolui  a cada dia.
Em 1986 acontece a grande revolução, suje então no mercado o primeiro tratamento a azidotimidina(AZT), esse tratamento abre as portas para outros. Já em 1997 um novo esquema terapêutico surge um coquetel de anti-retrovirais onde foi comprovado a melhoria dos portadores do HIV.
Os medicamentos que fazem parte deste coquetel são: AZT, os inibidoresda protease: indinavir(Crixivan); ritonavir(Norvir); saquinavir(Invirase ou Fortovase); nelinavir(Viracept); amprenavir(Agenerase); lapinovir(Kaletra); os inibidores da Transcriptase Reserva Nucleosídeos: zidovudina(Retrovir ou AZT); didanosina(Videx ou ddl); zalcitabina(Hivid ou ddC); estavudia(Zerit ou d4T); lamivudina(Epivir ou 3TC); combuvir(AZT + 3TC); abacavir(Ziagen); Trizivir(AZT + 3TC + abacavir); os inibidores da transcriptase Reversa Não Nucleosídeos: nevirapina(Viramune); efavirenz(Sustiva); delavirdina(Rescriptor). Estes são os medicamentos que compõem o coquetel contra o vírus HIV.
 
CONCLUSÃO
Este trabalho teve como objetivo de mostrar às pessoas e aos acadêmicos de enfermagem, de como é o mecanismo da Aids no nosso organismo, de como ocorre a transmissão, tratamento, e como deve ser feito os procedimentos de enfermagem junto a esses portadores da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, também foi abordado neste trabalho como prevenimos contra essa doença tão temida desse século . Conclui-se que qualquer pessoa esta susceptível em se contrair a Aids se não tomar as medidas de prevenção adequadas, seja elas, por meio do uso de preservativos durante o sexo, o uso de seringas descartáveis, e se for profissional de saúde seguir sempre as normas universais de segurança.
Portanto temos que ficarmos sempre atentos à nossa segurança como também a segurança do nosso paciente, tendo sempre a consciência de seguir sempre as regras de assepsia em todos os procedimentos que nós profissionais de saúde quando realizarmos.


REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO
1- Figueiredo; Nébia Maria Almeida de; Práticas de Enfermagem- Ensinando a Cuidar em Saúde Pública; Editora Yendis; 2ª edição; São Paulo- SP.
 2- Rosenberg; Steven; A. Hellman; Samuel, Jr; Vincent T. Devita, Aids; Etiologia, Diagnóstico, Tratamento e Prevenção; 2ª edição; Editora Revinter; Rio de Janeiro; Ano 1991.
 3- Soures; Marcelo; A Aids; Folha- Publifolha; São Paulo- SP; 2001.
 4- Collet, Neusa; Oliveira, Beatriz Rosana Gonçalves de; Viera, Cláudia Silveira; Manual de Enfermagem em Pediatria; Editora AB; 2ª edição, 2010.
 5- Filho, Geraldo Brasileiro; Bogliolo Patologia Geral; 3ª edição; Editora Guanabara Koogan, Rio de Janeiro, 2004.

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